Setembro amarelo: dicas sobre o cuidado com a saúde mental

O isolamento social vem interferindo diretamente na saúde mental das pessoas. O prolongado período de restrições e a incerteza do fim da pandemia têm gerado um aumento nos relatos de ansiedade, angústia, tristeza e estresse.

Esses relatos de instabilidade emocional são apresentados por públicos de diferentes faixas etárias. Os idosos sentem falta do contato com os filhos e netos, os adultos viram-se sobrecarregados com a rotina pessoal e profissional ocupando o mesmo espaço dentro de casa, e as crianças e jovens necessitam de uma rotina e de um senso de normalidade para encontrar uma estabilidade emocional.

Levando em conta tantos fatores importantes de serem observados, listamos algumas dicas de cuidados básicos que podemos ter com a saúde integral, estando atentos aos aspectos que podem oportunizar mais qualidade de vida para todos.

Dicas de autocuidado

1.  Mantenha-se em atividade: Ter relações interpessoais significativas, buscar por sentido nas atitudes e na vida, engajar-se em atividades que despertam interesse e desafiar-se na conquista de realizações pessoais são excelentes metas a traçar na busca por saúde e bem-estar. Uma boa opção para o momento pandêmico, com todos os seus empecilhos, é procurar manter o engajamento em ações cotidianas, como estudos e trabalho, praticar hobbies, atividades voluntárias, contato com a natureza, esportes, experiências artísticas, espirituais e/ou culturais. Assim, é possível construir momentos prazerosos, edificantes e integrativos.

2. Cuide do seu corpo e da sua mente: A Organização Mundial da Saúde entende saúde de maneira integral, não limitada à ausência de doença. Assim, uma pessoa pode não ter nenhum diagnóstico, mas ter um estilo de vida que concorre para o adoecimento futuro. O ser humano é um todo interligado e em conexão constante com os outros e com o mundo. Cada parte do todo pede por atenção e cuidado. Dessa forma, falar de saúde do corpo também é falar de saúde mental. Um bom jeito de cuidar integralmente da saúde, é através da atividade física, que pode ir desde a prática de algum esporte até uma breve caminhada.

3. Cultive a vida que pulsa ao seu redor: Conviver com animais de estimação, cultivar plantas e jardins, experimentar a natureza, nos recorda e aponta para o cuidado com a vida em sua dinâmica de equilíbrio. Sentir a vida que habita ao redor e em si é um exercício de saúde. Técnicas de respiração, contemplação e meditação podem colaborar com essa experiência, desacelerando-nos da correria diária e nos conectando com o que há de belo ao nosso redor, com aquilo a por que podemos agradecer.

4 . Mantenha bons relacionamentos: É essencial o vínculo com pessoas de confiança e de afetos saudáveis. Cultivar relacionamentos potenciais nos desperta para a vida significativa. As pessoas são diferentes entre si e, muitas vezes, o adoecimento pode ser potencializado pelo ambiente social, por isso é preciso estar atento: como eu me relaciono com os demais e como permito que os demais se relacionem comigo? Como posso contribuir com a saúde das relações nos espaços no quais convivo? Manter relacionamentos significativos é fundamental para o sentimento de pertença e participação.

5. Se necessário, não deixe de buscar um profissional da saúde: Nem sempre conseguimos resolver as dificuldades de nossas próprias vidas por nós mesmos, ou dividindo a questão com os familiares e amigos. Em muitos casos, é preciso buscar ajuda dos profissionais da saúde e do cuidado: psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais. É preciso, quando necessário, dar o passo e recorrer ao auxílio profissional, visto que existem técnicas, estratégias e protocolos que somente pessoas habilitadas podem conduzir, visando ao cuidado efetivo em saúde.

*Dicas elabordas pelos estudantes bolsistas de Iniciação Científica do Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista: Fredi Henrique Kunzler e João Pedro Demarchi Catarino, com supervisão técnica de Patrícia Espíndola de Lima Teixeira e Luiz Gustavo Santos Tessaro.

Atenção especial às crianças, adolescentes e jovens

Mudanças físicas, emocionais e sociais podem tornar as crianças e adolescentes vulneráveis a problemas relacioanados à saúde mental. A psiquiatra do Centro Marista de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Vanessa Schaker, reforça os cuidados que pais e educadores precisam ter nesse período de adaptação do retorno às atividades presenciais.

“Os vínculos com a escola, a família e a internet tiveram que ser ressignificados para diminuir a ansiedade e o estranhamento durante o período de isolamento social. Nesse momento , em que, com timidez, tudo está voltando, é importante conversarmos abertamente com as crianças e jovens para ajudá-los em um convívio social saudável visando a uma menor sobrecarga mental", explica Vanessa.

Confira outras dicas da psiquiatra:

- Esteja atento aos sintomas como irritabilidade, mudanças de humor, insônia, dificuldade de concentração;

- Converse com as crianças e jovens abertamente sobre seus sentimentos, estando sempre atentos às suas duvidas e interesses;

- Valide e legitime os sentimentos e não minimize as queixas e os sofrimentos;

- Mantenha hábitos sociais e emocionais saudáveis elaborando uma programação de atividades diárias;

- Em caso de dúvida ou necessidade mais específica, procure ajuda profissional.

Para saber mais, acesse o guia Saúde mental de adolescentes e jovens em contexto educativos: relações de cuidado humano . A elaboração do material foi feita em 2020 por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais da psiquiatria, psicologia, psicopedagogia e pedagogia. A organização geral do documento foi realizada pelo Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista, com o apoio de profissionais da Assessoria de Proteção à Criança e ao Adolescente, Gerência Educacional dos Colégios da Rede Marista  e Núcleo de Apoio Psicossocial da PUCRS.