Pesquisador do InsCer participa de webinário sobre alfabetização no ensino remoto

O pesquisador do Instituto do Cérebro do RS, Augusto Buchweitz, participou, na quinta-feira, do Webinário “Como fica a alfabetização no ensino remoto?”. Promovido pela Jeduca, uma associação criada por jornalistas especializados em educação, a mediação foi realizada por Marta Avancini. Integraram o evento também Silvia Collelo, da Universidade de São Paulo (USP) e Socorro Nunes, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e coordenadora de pesquisa nacional sobre alfabetização na pandemia.

Entre os assuntos pontuados por Buchweitz, do ponto de vista de como a criança aprende e de como a alfabetização acontece, existe a necessidade de as crianças estarem em sala de aula, socializando com os colegas e o professor, sendo o ensino remoto muito difícil, tanto em função das condições tecnológicas, mas também pelo fato de que a criança acaba tendo o alcance de atenção limitado. O pesquisador ainda comentou sobre a experiência no InsCer, no ambulatório de aprendizagem, antes da pandemia, em que já foram avaliadas centenas de crianças com dificuldade de aprender a ler e buscando identificar se essas crianças teriam dislexia no desenvolvimento. “A grande maioria não tem. Ela não está lendo muitas vezes, principalmente, porque não teve acesso a uma instrução contínua, mais sistemática e adequada”. Segundo Buchweitz, o que ocorre é que, pelo menos nas crianças avaliadas no ambulatório, a questão econômica acaba influenciando. Quanto menor o poder aquisitivo, pior o resultado. Ele ainda citou que, nesse momento, não é possível saber qual será o impacto da pandemia na alfabetização em termos de quanto vai cair a avaliação na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB).

Para o pesquisador, existe a dificuldade de alfabetizar no Brasil. “Um desses motivos envolve também a adoção de uma abordagem que a ciência da leitura mostra há muito tempo e em muitas línguas o quanto o ensino sistemático e o componente fônico ajudam a alfabetizar”, afirmou. Ao final da sua fala, ainda citou que alfabetizar uma criança mais tarde, em termos de desenvolvimento, está sendo perdido um período especial que não se repete e que, em termos de consequências que isso traz, a projeção não é boa.