Estudo indica que nado durante a gestação pode evitar danos ao bebê

O grupo de pesquisa em Imagem Molecular Pré-Clínica do Instituto do Cérebro do RS colaborou com a publicação de um paper na revista internacional Experimental Neurology. Intitulado “O nado gestacional previne disfunções mitocondriais iniciais e induz neuroproteção de longo prazo de forma sexo-específica após a hipóxia-isquemia neonatal em roedores”, o estudo foi contemplado no edital DOCFIX da FAPOERGS, em 2018.

De autoria do pós-doutorando em neurociência/pediatria Eduardo Sanches, da Universidade de Genebra, na Suíça, o projeto foi supervisionado pela Profa. Angela Wyse, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e contou com a colaboração dos pesquisadores do InsCer, Samuel Greggio e Gianina Venturin.

Nos últimos anos, foi observado um crescente interesse no período gestacional como janela terapêutica na prevenção de várias patologias. Segundo o autor do artigo, “diversas complicações ocorridas durante a gestação podem ser prevenidas, tais como nascimento prematuro e diabetes gestacional”, afirma.

Uma das patologias que o nado gestacional é capaz de prevenir o dano, ou diminuir de forma considerável, é a hipoxia-isquemia cerebral neonatal, que é a asfixia em bebês.

O estudo foi feito especificamente no nado gestacional, mas qualquer exercício aeróbico, desde que com acompanhamento médico, altera o funcionamento das mitocôndrias do tecido cerebral em um modelo animal com ratos. As mitocôndrias são a "usina de produção de energia" nas células. Como a hipóxia-isquemia leva a uma falência energética, o que o nado faz é prevenir o estresse oxidativo celular, através da melhora na função mitocondrial e da preservação do metabolismo da glicose. Durante a pesquisa, foi utilizado o Micro PET/CT do InsCer para demonstrar correlações das alterações observadas in vivo nos animais.

Além de ratificar resultados prévios do grupo, onde o nado foi neuropotetor nessa lesão, o paper mostra que essa proteção transgeracional, uma vez que é herdada da mãe, tem um caráter sexualmente dimórfico, ou seja, varia em função do sexo dos animais. Após sofrer com o dano da hipóxia-isquemia, os animais do sexo masculino foram os mais beneficiados, pois o maior número de casos de hipóxia-isquemia está justamente nos machos.

Leia o paper completo, em inglês, através do link.