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O chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital São Lucas e professor da Escola de Medicina da PUCRS, Dr. Eliseu Paglioli Neto, foi escolhido para liderar a Força-Tarefa de Cirurgia de Epilepsia Pediátrica da Liga Internacional contra a Epilepsia (ILAE). O grupo tem o objetivo de definir as recomendações internacionais para a cirurgia da epilepsia em crianças, visando à realização delas o mais cedo possível. “Normalmente, crianças que começaram a ter crise com 1-2 anos são operadas apenas com 8-9 anos. Queremos fazer as diretrizes para o mundo todo porque é melhor fazer a cirurgia mais cedo, para que não demore tanto tempo para a criança ser tratada”, explica o neurocirurgião. Estudos epidemiológicos mostram que, apesar do desenvolvimento de novos medicamentos, por volta de 35% de todos que possuem epilepsia e metade daqueles com epilepsias focais não conseguem ter suas crises controladas com remédios. Por isso, nas últimas três décadas, a cirurgia passou de um procedimento raro, utilizado excepcionalmente, para uma alternativa consistente e muitas vezes prioritária para aliviar o sofrimento dos portadores da doença.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 50 milhões de pessoas no mundo sofrem de epilepsia, o que a torna um dos transtornos neurológicos mais comuns. A Liga é o principal órgão mundial da área, criada em 1909 e formada por capítulos de mais de 100 países. É voltada a disseminar o conhecimento sobre a enfermidade e promover pesquisa, educação e treinamento, além de buscar melhorar os serviços e os cuidados aos pacientes por meio de prevenção, diagnóstico e tratamento. Profissionais de diferentes nações, poucos do Brasil, integram as comissões, que produzem as diretrizes que são seguidas globalmente. Os resultados dos estudos são publicados na revista científica da organização e divulgados em congressos internacionais. Paglioli integrará a Comissão de Cirurgias e assumirá a Força-Tarefa em setembro, para o período de 2017 a 2021.

Eliseu Paglioli Neto

O neurocirurgião gaúcho coordena, junto com o neurologista e pesquisador do InsCer, Dr. André Palmini, o Programa de Cirurgia da Epilepsia do Hospital São Lucas da PUCRS, que completou 25 anos em 2017 e foi pioneiro na realização regular e continuada de procedimentos desse tipo na região Sul. Nesse período, foram feitos mais de 2 mil procedimentos e 4 mil avaliações. São atendidos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), convênios e particulares. Entre os que se operaram, estão pessoas de todo o Brasil e também de países como Argentina, Uruguai, Chile, Portugal e Estados Unidos. São realizados entre 90 e 100 procedimentos anuais. O índice de complicações é baixo. Em alguns tipos específicos da doença, os resultados alcançados estão entre os melhores do mundo, tendo sido publicados em reconhecidas revistas internacionais. “A epilepsia tem mais de 20 tipos diferentes. Na média, 70% dos pacientes ficam completamente sem crises e outros 20% tem redução significativa, com melhora da qualidade de vida”, afirma Paglioli. Dados coletados em centros internacionais e no HSL demonstram que a capacidade intelectual, o comportamento e a função motora podem ser melhorados com o procedimento.

Texto: Ângela Vencato Freitas/HSL/Divulgação