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Pesquisadores do InsCer publicaram nesta semana no Journal of Tissue Engineering and Regenerative Medicine um artigo com os resultados de uma importante pesquisa: a que utiliza células-tronco no tratamento de pacientes com epilepsia do lobo temporal. Os resultados são decorrentes da chamada Fase 1 do estudo, que teve duração de quatro anos e contou com a participação de 20 pacientes adultos diagnosticados através de exames de imagem e registros eletrofisiológicos das crises. O inovador estudo apresentou de forma concisa a viabilidade e a segurança em relação ao uso de células-tronco para o tratamento de epilepsia do lobo temporal mesial, além de seu potencial terapêutico no controle das crises convulsivas refratárias.

As células-tronco utilizadas foram aspiradas da medula óssea dos próprios pacientes, preparadas para o transplante e aplicadas diretamente no cérebro através de um microcateter que conduziu as células até o hipocampo que apresentava a lesão e, consequentemente, provocava as crises convulsivas. Após a aplicação das células-tronco, os pacientes foram acompanhados por seis meses através da realização de testes para avaliar a segurança do procedimento, a frequência das crises convulsivas, avaliações neuropsicológicas, descargas elétricas do cérebro e o tamanho do hipocampo alterado. Não foi evidenciada nenhuma lesão adicional e nenhuma alteração no volume do hipocampo dos pacientes tratados, demonstrando com isso a segurança do transplante de células-tronco para o tratamento da epilepsia.

Após o transplante de células-tronco, os pacientes apresentaram uma diminuição na atividade eletroencefalográfica. Além disso, após seis meses de tratamento, 40% dos pacientes não tiveram mais crises convulsivas, 25% tiveram redução entre 70 e 99% no número de crises, 15% tiveram redução entre 50 e 69% no número de crises e 20% apresentaram redução no número de crises menor que 50%, além de um aumento significativo no desempenho de memória.

Segurança e eficácia do transplante foram avaliadas

A epilepsia é um distúrbio cerebral caracterizado por manifestações clínicas (crises convulsivas) recorrentes e espontâneas, sendo a epilepsia do lobo temporal (TLE) uma síndrome altamente prevalente entre esses pacientes que, geralmente, são refratários ao tratamento medicamentoso. O objetivo deste estudo avaliar a segurança e o possível efeito sob o controle de crises através do transplante autólogo de células-tronco da medula óssea em pacientes com epilepsia do lobo temporal mesial com esclerose hipocampal.

Pelo InsCer são autores do estudo o diretor do instituto e vice-reitor da PUCRS, Prof. Dr. Jaderson Costa da Costa; a neuropsicóloga e pesquisadora Profa. Dra. Mirna Wetters Portuguez; o neurorradiologista e pesquisador Prof. Dr. Ricardo Soder; o pesquisador Dr. Daniel Marinowic; a neuropsicóloga e pesquisadora Dra. Danielle da Costa; e o médico e pesquisador Dr. Lucas Schilling. Pelo Hospital São Lucas da PUCRS, participaram do artigo a pesquisadora Profa. Dra. Denise Cantarelli Machado; a médica e pesquisadora Me. Carolina Torres; a médica e pesquisadora Me. Maria Júlia Carrion; o médico e pesquisador Dr. Eduardo Raupp; e a médica Silvia Lardi. Também participou como autor o médico e pesquisador Prof. Dr. Bernardo Garicochea.

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